Hoje não trago anedotas curiosas do cotidiano a não ser o atestado definitivo da minha incerta (in)significância. Lembrei-me de ser uma jovem que desceu do ônibus à noite, certa vez, de volta para casa depois de um dia OK. De olhar aquele lençol escuro de pontos brilhantes chamados estrelas e sentir a vida a minha volta e em mim e, pela primeira vez (naquela fase da vida), sentir a extensão dela… da vida. Da sensação de cair num poço atéééé… sem fim! 

A grandiosidade da vida me bateu naquela noite sozinha, em que simplesmente nada de importante aconteceu. Aquele nada me marcou tanto! Já aconteceu com você, diário? Naquela noite eu me vi diante da magnificência espantosa e adjetiva que nos engole e nos põe a flutuar na garganta do mundo, o qual não aceita devoluções.

“Você é você.

Se vire sendo!”, disse o mundo.

E em plena existência pandêmica eu tenho me entregado a tantas coisas, a tantas emoções, a tantas loucuras, e a que me deixa mais feliz é a de clicar em COMPRE AQUI, mesmo sabendo do preço (pago com trabalho, com choro, com culpa, com dor no peito e ansiedade), quando tudo que eu quero (mesmo) é rastrear meu pedido de me entender e reclamar para o mundo: NÃO GOSTEI! 

Dáfini Lisboa.

uma cliente insatisfeita

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *