Semana passada fui horrível. Não lavei o cabelo por uma semana. Fui chata com TODOS ao meu redor. Não dividi o último pedaço de pizza com o outro humano da casa. Não dei bola quando uma bolotinha branca pediu carinho. Não joguei a bolinha para o cãozinho bonzinho. Eu fui uma vilã da novela das 6 completa! Só dizia coisas descabidas e acordava de madrugada atormentada com uma lorota na cabeça. Não lavei louça. Não lavei roupa. Trabalhei com dificuldade de me concentrar, com uma dor de cabeça pinicando meu crânio.
E talvez eu esteja só divulgando tudo isso para querer sua atenção, mesmo sendo indigna dela, já que o mundo anda acabando, né? (convenhamos que tem assunto muito mais relevante por aí)
Mas assim foi indo, todos me aguentando bravamente.
Uma planta aqui de casa sempre diz quando tá brava comigo, e ela se rebelou, sua folha ficou seca, sem poesias para mim, pois eu não era merecedora de seu verde alegre e simpático. Eu bufei, ‘nem te quero, não quero nada, sai daqui’’. Ela continuou onde estava, rebelde que é, mas sem suavidades comigo.
Dormi cedo no sábado. Dormi profundamente de tão cansada. Fechei os olhos para este mundo e fui flutuar em outros que me trouxessem de volta. Quando acordei, notei que havia tirado da unha dos pés, na semana anterior, o esmalte descascado e antigo, na promessa de me cuidar e colocar uma cor nova pra ditar os dias seguintes.
Eis aí, meu amigo diário, algo que me fez entender parte da raiva e senti-la mais ainda. A futilidade não praticada, seria ela a dona do meu desvio na curva da sanidade? Se for, sou bem pior do que pensei, diário?!
No movimento transtornado de (des)existência, sinto consumindo o meu mundo aqui de dentro e me matando de pouquinho em pouquinho; acontece que no momento eu sou uma só e queria poder abraçar o mundo, salvá-lo, mesmo sem ter braço suficiente.
A conclusão da minha ladainha existencial é esta: cuide-se para poder (e querer) cuidar! Comecei a estudar formas de fazer isso, e a dor diminui um pouco. Agora é fazer!
No domingo, vislumbrei minha sorte na loteria da vida e tentei ser boa comigo, sem julgamentos.
Echarpe de Crochê (vulgo Marrom com brilho); Noite de Gala (vulgo azul-marinho); André Fez o Jantar (vulgo vermelho-tomate)…
Escolhi, por fim, ser Cheia de Cor (vulgo vermelho vivo) e cuidei de mim num domingo frio de sol desbotado.

Dáfini Lisboa.

Poção do Amor para os Pés

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