Hoje consegui me dar conta de como a travessia da quarentena até agora tem sido, pra mim, como um luto. Não gosto de reclamar porque me sinto fazendo a #whitepeopleproblems, mas admitir que o que aconteceu comigo foi um tipo de morte preparou o terreno pra poder seguir em frente.

A morte de uma etapa importante no meu projeto de transição de rotinas, a impossibilidade de dar mais um passinho em direção à tão sonhada vida no campo sem que isso fosse depois de um burnout ou de outra mudança brusca. Eu quis planejar, quis fazer valer o ascentende em virgem. Contatei uma penca de pessoas e de organizações, distribuí as tarefas ao longo de vários meses. Daí veio o coronga e fim, levando toda essa programação pelo ralo. “Vai ser na força bruta sim, minha filha”, disse alguma entidade cósmica por aí. E por mais força de vontade que tivesse, nada poderia fazer pra impedir. Desde então me resta ficar quietinha dentro de casa. Doeu tanto que nem pras anotações e planejamentos rascunhados eu queria olhar.

Hoje me dei por conta de que, ironicamente, justamente o motivo que frustrou meus passos é o mesmo que tem levado muita gente a buscar o mesmo que eu. Mesmo que despertar pra essa busca tenha sido por motivos diferentes, o destino é parecido. Tenho visto pessoas amigas e outras desconhecidas falando em deixar a cidade grande e caótica, em repensar o modo como vivem, consomem e trabalham. Daí que vem um pouco da motivação pra seguir em frente, numa tentativa de renovar os ânimos mesmo.

Ainda não consigo ver onde isso tudo vai dar, mas timidamente fico feliz por perceber que superar o luto é um primeiro passinho, e que já afasta de onde eu não quero mais estar.

No fim tudo é clichê
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