Eu perdi a carteira por cinco dias. Mesmo sem sair de casa. Desespero? Não, não. Sabia que era só um ataque de timidez dela, que estava em algum canto. Por isso não cancelei abruptamente meu cartão nem fiz boletim de ocorrência.

Só que, sem poder gastar, sem ter a perspectiva de nem comprar um pão de queijo na padaria do bairro, o próprio desejo de pão de queijo se esvaneceu. Por cinco dias, todo o chamariz de restaurantes, lojas e eventos sumiu. Eu não tinha porquê sequer pensar nessas opções. Sem dinheiro, qualquer pedido de tele entrega é miragem.

Eu encontrei hoje minha carteira. Com aquele quadradinho de couro amassado nas mãos, percebi por quão longo tempo as perguntas “Onde gastar? Como gastar bem?” ocupam minha energia. Desde minhas primeiras mesadas? Talvez. O certo é que finalmente compreendi o olhar de incredulidade da minha bisavó, quanto lhe disse aos nove anos: eu quero ser gerente do meu próprio dinheiro. Feliz ela que só se preocupava em assar seus pães e biscoitos.

Mamon

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