(“O Fotógrafo”, de Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier).

Hoje depois do almoço me estiquei na rede pra pegar um solzinho bom, fiquei folheando O fotógrafo, uma reportagem em quadrinhos antiga de que gosto, que acompanhou uma equipe dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão nos anos 80. Fico olhando aquelas paisagens das fotos e dos desenhos e sentindo uma coisa que tenho sentido muito, que é ficar bebendo a paisagem dos filmes, vivendo em segunda mão com muito mais intensidade as imagens de paisagem, meu coração às vezes bate um pouco mais quando aparece um riacho num vídeo, umas nuvens nos alpes suíços de uma reportagem. As gaivotas sobrevoando a orla, no Instagram de um amigo que mora em Oslo.

Eu realmente sinto muita falta de sair de casa. É engraçado. Não me permito falar disso muito, nem para mim, porque quero que as pessoas que podem fiquem em casa, então parece conveniente que a gente não olhe demais pela perspectiva de restrição, mas é super esquisito, eu não sabia que ia sentir assim, com essa intensidade. Nos filmes quando tem uma cena mais aberta, principalmente de natureza, montanha, mato, morro, nossa, mas também nas cidades, umas ruas, eu quero chegar mais perto da tela, se estou sozinha faço isso ou dou pause, mas nem é pra olhar, é porque meu coração tá batendo mais rápido e eu estou estendendo aquela vivência.

Teve dois dias que eu abri a janela e uivei pros prédios, e apesar de parecer um pouco engraçado, nas vezes que fiz isso o som da minha voz pareceu muito diferente do que eu imaginei. Nas duas vezes que eu abri a janela foi uma continuação de um gesto natural de extravasar uma emoção que não estava muito clara, mas eu achava que era porque o uivo é um grito de força do corpo, da vida existindo, de amor pela noite, o céu, a lua, a terra e tudo que existe, as pessoas-irmãs nas outras casas, mas o som que saiu foi de um animal enjaulado, um som bem estranhão, que não sabia de onde veio, meio desses que você grita no sonho e sai um som.

18 de abril
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